quinta-feira, 7 de julho de 2016

Livro – A Balada de Adam Henri, de Ian McEwan



O livro “A Balada de Adam Henri”, de Ian MacEan, aborda um tema que tem sido predominante no trabalho do autor: a defesa da racionalidade em oposição ao fundamentalismo religioso. O tema é trazido à tona ao contar a história da juíza do Tribunal Superior, Fiona Maye, especializada em direito da família, conhecida pela “imparcialidade divina” e “inteligência diabólica”.

Ao completar 60 anos, a juíza está vivendo um dilema pessoal porque se arrepende de não ter tido filho. Além disso, ela é surpreendida pelo marido que deseja viver um caso extraconjungal com a sua aprovação.  
Com a vida particular de penas para o ar, a juíza ainda precisa se dedicar ao caso de Adam Henri, um garoto de 17 anos.
Ele sofre de leucemia e depende da transfusão de sangue para sobreviver. Os seus familiares, contudo, são testemunhas de Jeová e resistem ao procedimento.
Fiona argumenta a favor do bem- estar do adolescente e repele as crenças da família que poderiam ser um obstáculo ao tratamento.
Esse não é o primeiro caso em que a juíza precisa decidir entre a vida ou morte, por causa do conflito entre razão e religião.
Antes de Adam Henri, Fiona já tinha atuado no caso de gêmeos siameses que nasceram com malformação e, se não fossem operados, iriam falecer.
O grande dilema entre fazer ou não a cirurgia também esbarrava em outra decisão: após o procedimento era certo que um deles não sobreviveria.
A família dos gêmeos também se opunha à realização da cirurgia, dizendo que era contra seus preceitos religiosos e que só Deus pode tirar uma vida.   
Se a decisão sobre o caso dos gêmeos siameses foi difícil, o caso de Adam Henri se mostra mais complexo e ganha novos contornos após o fim do julgamento.
O garoto passa a se insinuar na vida da juíza, a persegui-la e lhe dedica o poema que dá nome a esse romance: “A balada de Adam Henry”.
Será que ela vai resistir? Bem, isso eu não vou contar. Só posso dizer que o final é surpreendente.
Desde o 11 de setembro, o autor inglês, Ian  McEwan, tornou-se uma voz de ressonância mundial contra os perigosos do obscurantismo.
Esse livro foi inspirado na conversa do autor com os seus amigos juízes durante um jantar informal, onde ouviu sobre alguns dilemas morais e decisões judiciais que eles enfrentavam.
Após o jantar, o autor dedicou-se ao estudo do cotidiano de um juiz do Tribunal Superior e passou a observar que algumas sentenças se pareciam com contos ou romances curtos.
A Balada de Adam Henri vai além dos dilemas judiciais, na minha opinião o grande mérito do livro é exatamente o fato de mostrar que todos somos humanos até mesmo quem, por força das circunstâncias, precisa agir como Deus.

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