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quinta-feira, 25 de março de 2021

Livro "A idade do serrote", de Murilo Mendes


O livro que eu estou lendo agora se chama “A Idade do Serrote”, de Murilo Mendes, publicado pela 1ª vez, em 1968, pela editora Sabiá.

A editora Sabiá, para quem não sabe, pertenceu aos escritores Fernando Sabino e Rubem Braga. Alguns anos depois, ela foi comprada pela Livraria José Olympio Editora.

Mas, voltando ao livro...

Eu comprei o livro “A idade do serrote” na Estante Virtual. A capa do livro foi criada pelo pintor Farnese de Andrade.

Para compor a arte da capa, o artista empilhou alguns objetos estranhos, como um velho tinteiro de cristal, com bolinhas de vidro, e no alto colocou uma cabeça de boneco de plástico.

O resultado é um objeto com formato fálico, de um jeito surreal. 

Durante a minha pesquisa, eu descobri que o autor do livro, Murilo Mendes, não gostou da capa o livro.

Em carta de 20 de fevereiro de 1971, endereçada ao editor Daniel Pereira, da José Olympio, ele revelou que não foi consultado e não aprovou a arte.

Quando foi questionado porque aceitou a situação sem reclamar, ele justificou: - “Os sabiás são velhos camaradas”.

Em 2018, 50 anos depois, a polêmica sobre a capa do livro “A idade do serrote” voltou à tona com a Exposição “Farnese: Pintura. Gravura. Objeto, que ficou em cartaz no Museu de Arte Murilo Mendes.

Polêmicas a parte, eu gostei muito da capa.

Sobre o livro...

É composto por diversas histórias curtas, que revelam os personagens e os lugares que marcaram sua infância do escritor: Tio Chicó, Padre Antonio Maria, Dona Coló, Isidoro da Flauta e tantos outros.

A escrita é uma delícia, traz expressões da época e o tom lembra uma prosa poética, mas na medida.

Vou contar um pouco sobre o autor: Murilo Mendes nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 1901, e recebeu a revelação da poesia na noite da passagem do cometa Halley pelo céu do Brasil.

Bem, pelo menos, é isso o que está escrito no prefácio do livro “A idade do Serrote”.

É um livro encantador, eu super recomendo.


quinta-feira, 11 de março de 2021

Manuelzão e Miguilin, de Guimarães Rosa



O livro indicado essa semana é “Manuelzão e Miguilim”, de Guimarães Rosa, é dividido em duas narrativas: Campo Geral e Uma Estória de Amor.

Com uma linguagem própria, o autor revela o universo do interior de Minas através do olhar inocente de uma criança e de um homem maduro.

E, assim, conhecemos a história de duas famílias sertanejas, comemoramos suas alegrias e sentimos suas tristezas. 

O livro faz refletir sobre a forma como enxergamos a nossa própria vida e eu percebi que a inocência, embora não impeça o sofrimento, faz com que a vida seja mais fácil de ser vivida. 

Eu senti vontade de resgatar isso em mim. Será ainda possível? Não sei. Mas, talvez, ter lido esse livro já seja um passo nesta direção, um despertar. Vou contar um pouco sobre as histórias.  

sábado, 6 de março de 2021

O amor nos tempos do cólera, de Gabriel Garcia Marquez

 

Eu sei que muita gente conhece o escritor Gabriel García Márquez através do seu livro “Cem Anos de Solidão”, uma das obras mais lidas e traduzidas em todo mundo. 

  Eu já tenho um amigo que até decorou o primeiro parágrafo e o recita com total admiração.  “Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía haveria de recordar aquela tarde remota em que o pai o levou a conhecer o gelo”.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

O Olho Mais Azul, de Toni Morrison


Faz tempo que eu não escrevo uma resenha de livro, mas hoje decidi escrever sobre um dos meus favoritos “O Olho Mais Azul, da escritora americana Toni Morrison. É a minha homenagem à autora que estaria completando hoje 90 anos.

Morrison demorou cinco anos para concluir a história, inspirada em lembranças da sua juventude numa comunidade miscigenada, em Ohio.

Eu recebi esse livro da TAG Curadoria, um clube de assinaturas do qual participo, pela indicação de Djamila Ribeiro, e quando comecei a ler, não consegui mais parar.

Não é uma história alegre, mas necessária a todos porque traz reflexões profundas sobre as marcas deixadas pela história.

Tão profundas que ainda levam milhares de pessoas – inclusive, crianças – a buscarem ideais de beleza como se isso fosse necessário para serem aceitas na sociedade.

O que é a beleza, afinal?

Para Pecola Bredlove, personagem desse livro, uma garotinha preta e de cabelo crespo, é ser igual à atriz mirim Shirley Templo. Ou seja, loira e de olhos azuis.

Pecola, como diz a autora, vive dentro de uma “família devastada e devastadora”, onde está vulnerável a todo tipo de violência – física e psicológica - e sente aversão por sua aparência.

Em formato de uma investigação, com diversos depoimentos, esse romance busca descobrir quem foram às pessoas que fizeram Pecola sentir- se feia e inadequada.

No entanto, não é um processo de demonização, de encontrar culpados. As pessoas que destruíram Pecola são humanizadas, o que torna a história ainda mais difícil de digerir.

“Quem a tinha olhado e a achado tão deficiente, um peso tão pequeno na escala de beleza?”.

Perguntas como essa aparecem na história e servem para nos fazer refletir sobre o peso das palavras e como “brincadeiras inofensivas” causam traumas permanentes e até determinam como uma pessoa se vê e se comporta diante do outro.

Será que temos sido melhores do que as pessoas que destruíram Pecola?

Aviso de gatilho, se não está preparada (o) para encarar uma realidade cruel é melhor não ler esse livro.

No entanto, se busca  reflexões sobre raça e desigualdade, eu o indico fortemente.

Vou destacar uma das frases mais lindas desse romance, na minha opinião, claro!

“Quem é mau, ama com maldade, o violento ama com violência, o fraco ama com fraqueza, gente estúpida ama com estupidez, e o amor de um homem livre nunca é seguro. Não há dádiva para o ser amado. Só o amante possui a dádiva do amor”.


Um pouco sobre a autora - Chloe Anthony Wofford, conhecida por Toni Morrison, foi uma escritora norte-americana e a primeira mulher negra vencedora do prêmio Nobel de Literatura, em 1993.

Nascida em Lorain, estado de Ohio, ao norte dos Estados Unidos, 18 de fevereiro de 1931, era filha de um soldador e de uma dona de casa. Estudo inglês e literatura clássica na universidade de Howard.

Casou-se com o arquiteto jamaicano Harold Morrison, com quem, apesar do curto tempo de relacionamento, teve dois filhos. Toni deixou o marido quando ainda estava grávida do segundo, e teve que encontrar uma saída rápida para se sustentar enquanto mãe solteira.

Surgiu, então, a oportunidade de trabalhar na famosa editora Random House, que colocou Toni em um ambiente até então estranho para ela – um mundo de agentes, editores e escritores.

Toni Morrison faleceu aos 88 anos, no dia 5 de agosto de 2019.

 

terça-feira, 17 de setembro de 2019

O Rio de Clarice - Passeio Afetivo pela cidade


Há alguns meses, eu encontrei com a escritora Teresa Montero, autora do livro “O Rio de Clarice - Passeio afetivo pela cidade” para fazer uma viagem no tempo.
Nosso primeiro contato foi por e-mail (oriodeclarice@gmail.com), eu escrevi para Teresa interessada em fazer um tour para conhecer mais sobre a vida de Clarice Lispector.
Teresa realiza esse passeio uma vez por mês, por um valor simbólico e às vezes gratuitos, mas quando entrei em contato isso já tinha acontecido.
Então, decidi agendar um passeio exclusivo. Ela me sugeriu dois roteiros, um mais curto e outro completo. Como eu estava passeando no Rio, com tempo de sobra, optei pelo segundo.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Livros infantis “OTTO E A TINA” e “O SEGREDO DE DRUZILLA” já podem ser adquiridos pelas escolas, de forma gratuita.

Todos sabem que livros são a minha paixão, e como foi que isso começou?

Assim como a maioria das pessoas que eu conheço e que não fica um dia ser ler, o hábito da leitura começou graças ao incentivo dos professores.
Eu estudei praticamente a vida toda em escola pública e tive ótimos professores. Claro, que a minha favorita era a de português, matéria que eu tirava as melhores notas.
Mas, lembro de uma professora de português em especial, nome dela é Sônia. Ainda hoje encontro com ela caminhando na cidade.

Sempre que nos encontramos, eu agradeço por ter me incentivado a ler e escrever. Ela responde: - Você já tinha isso dentro de você.
Bonito, não é? Ter um alguém que olha pra gente e no enxerga por dentro.
Eu tenho certeza que, assim como a Sônia, existem muitos professores de português que se dedicam de todo coração aos seus alunos.
Se você é um deles ou conhece um professor que que tem esse perfil, vai gostar de saber que o Programa Nacional do Livro Didático - PNLD - Literatura 2018, selecionou dois livros infantis que vão inspirar os alunos a usarem a imaginação e a cuidarem da natureza, de uma forma lúdica e criativa.

São eles: “OTTO E A TINA” e “O SEGREDO DE DRUZILLA, A ENCANTADORA DE SIRIS”.



terça-feira, 26 de setembro de 2017

Lançamento do Livro Encantes celebra arte e literatura


A jornalista e autora do Blog Encantes, Daniela Carvalho, fez o lançamento oficial de seu livro de crônicas Encantes, no dia 14 de setembro, no Espaço Abricó, em São Sebastião, cercada pela família e amigos. Cerca de 230 pessoas estiveram presentes, nesta noite que celebrou o encontrou da arte e literatura. 

sábado, 16 de setembro de 2017

Livro: O Segredo de Druzilla, a encantadora de siris - de Isabel Galvanese


Vou te contar o nosso siri- segredo... 

Com essa frase que começa o livro escrito e ilustrado pela artista Isabel Galvanese, que conta a história de dona Druzilla, antiga moradora da cidade de São Sebastião, Litoral Norte de São Paulo, que gostava de ir à praia para pescar siris.
Mas, essa senhora tinha um segredo...

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

"Sou mais feliz quando escrevo", diz a cronista Daniela Carvalho

1. Qual é a sensação de coroar seu interesse pelas letras com a publicação do primeiro livro?
R: A sensação é a melhor possível, a realização de um sonho. Quando peguei o livro nas mãos pela primeira vez, fiquei emocionada. Foi um longo caminho percorrido, com alguns obstáculos, muitas dúvidas, mas também grandes parcerias de amigos queridos, que me apoiaram, aconselharam e estiveram sempre ao meu lado.

2. Como funciona seu processo de criação literária?
R: Eu me inspiro nas coisas a minha volta, mas existem épocas que eu tenho alguns brancos e, quando isso acontece, sempre acho que nunca mais vou ter novas inspirações. É algo meio dramático, mas eu sou assim mesmo. Depois tudo volta a ser como antes. Sou mais feliz quando eu escrevo.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Livro | Ainda estou aqui, de Marcelo Rubens Paiva


Eu acredito que muitos da minha geração leram o primeiro livro do escritor Marcelo Rubens Paiva, com título “Feliz Ano Velho”, onde ele contou sobre o acidente que o deixou paraplégico quando ainda estava na universidade, vivendo o auge da juventude.
Eu me lembro do livro, um verdadeira clássico, na década de 80, e da forma como o autor contou a sua história sem se colocar no papel de vítima e até conservando certo bom humor.
Passados muitos anos, só agora, após ler o último livro do autor, lançado com o título “Ainda estou aqui”, que eu pude compreender como ele superou todas as circunstâncias e ainda nos presenteou na época com uma história inspiradora.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Livro | Biblioteca de Almas, de Ransom Riggs


No terceiro e último livro (pelo menos, por enquanto) da série “O Lar da Srta. Peregrine para crianças peculiares” começa em Londres, no tempo atual e assim como os outros une fantasia, fotos antigas e muita ação. Dessa vez, Jacob Portman, Emma e o cachorro Addison vão parar no Recanto do Demônio, uma complexa fenda temporal que abriga todo tipo de vícios e perversões.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Entrevista - O fuxico de Janaína


No dia 20 de novembro, há 321 anos, morria Zumbi dos Palmares, um dos símbolos da resistência negra a escravidão no Brasil.
Não é preciso citar todas as influências da cultura negra em nosso país, mas de todas elas a religião ainda é vista com maior preconceito.
E como eu acredito que o preconceito está ligado à falta de conhecimento, eu apresento a entrevista da minha amiga querida Janaína de Figueiredo que, junto com o pai Atualpa, conhecido no terreiro como Tata Kajalacy. escreveu o livro "O fuxico de Janaína". 
Então...
...venha se achegando com a gente de mansinho, como as marolas que Kaitumba faz rebentarem na maré baixa. Pedimos licença ao grande Kalunga e a convidamos você a embarcar na jangada de um valente pescador conduzida pelo sopro de Matamba mar adentro da nossa prosa com o autor deste mês.


quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Livro | Depois a louca sou eu, de Tati Bernardi




Eu sou fã de comédia romântica, assisti “Meu passado me codena” e acompanho o trabalho da autora, principalmente a sua coluna no Jornal Folha de São Paulo. Sempre irônica, escrachada, ela aborda os tema com uma sinceridade desconcertante, mas eu adoro.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Livro | O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares




"O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares", de Ransom Riggs, é um livro leve e delicioso, que me surpreendeu ao seguir um caminho diferente da maioria das histórias de mistério ao não apelar para as costumeiras cenas de violência cheias de sangue, ao contrário ele descreve um universo lúdico e quase infantil, quase...

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Livro | Meia- Noite em Bhopal, de Dominique Lampierre e Javier Moro




O livro conta a história do maior acidente industrial que já ocorreu no mundo, a partir da visão de diversos personagens, moradores da cidade de Bhopal, na Índia, o que torna a narração do acontecimento ainda mais real e emocionante. 

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Livro – A Balada de Adam Henri, de Ian McEwan



O livro “A Balada de Adam Henri”, de Ian MacEan, aborda um tema que tem sido predominante no trabalho do autor: a defesa da racionalidade em oposição ao fundamentalismo religioso. O tema é trazido à tona ao contar a história da juíza do Tribunal Superior, Fiona Maye, especializada em direito da família, conhecida pela “imparcialidade divina” e “inteligência diabólica”.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Livro – Coleção Jatobá: Ecoalfabetização


A dica de livro desta semana é a Coleção Jatobá – Ecoalfabetização, voltada para o público infantil, escrito por Rosana Jatobá e Arminda Jardim, com ilustrações da artista plástica e colunista deste Blog, Isabel Galvanese.
A coleção é composta por sete livros, cada um mais bonito do que o outro. As imagens já valem a compra desta coleção por ser um encanto, cada uma delas foi pensada para passar a mensagem às crianças de uma forma lúdica e nada óbvia. 

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Livro | O caminho estreito para os confins do Norte, de Richard Flanagan


Não é um livro sobre a Guerra. Tão pouco é uma história de amor. Eu diria que é um livro poético.
Conta a história de um cirurgião e oficial- comandante australiano Dorrigo Evans, um dos milhares de prisioneiros de guerra do exército japonês, que foi forçado a trabalhar na construção da Ferrovia da Morte, entre a Tailândia e a antiga Birmânia, durante a 2ª Guerra Mundial.
“Ele não acreditava em virtude. Virtude era a vaidade bem vestida e esperando aplauso. (Pág. 60”.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Livro | Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, de Marçal Aquino



Uau!
Eu sei que essa não é a forma adequada para começar uma resenha.
Mas, você entende quando digo que eu li esse livro como se estivesse comendo com farinha?
Pois é, tudo nele me conquistou. Da imagem árida do garimpo, no Pará, até a forma como o autor descreve os personagens: os comerciantes inescrupulosos, prostitutas e os assassinos de aluguel.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Livro | A Guerra do Fim do Mundo, de Mario Vargas Llosa


O livro “A Guerra do Fim do Mundo, de Mario Vargas Llosa, possui 606 páginas, mas após terminar a leitura a sensação é de ter feito uma viagem ainda mais longa até as profundezas de um Brasil, onde a secura da terra parece sobreviver graças ao líquido derramado, misto de sangue e suor, das pessoas que teimaram em viver ali.