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quarta-feira, 9 de novembro de 2022

A passagem para a adolescência...

 


Quando eu era criança, adorava brincar de casinha e inventar histórias. O quarto dos meus pais se transformava em escritórios, consultórios médicos, florestas, restaurantes... Aos olhos dos outros moradores da minha casa, ele nunca deixou de ser um quarto comum, pequeno, com móveis brancos e cortinas com desenhos geométricos, ocre e marrom, estilo anos 70.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Nem tudo que evolui é bom



Quando eu era criança lembro que um dos costumes dos moradores da minha rua era colocar as cadeiras de praia na calçada para bater papo.
Ficavam ali horas e horas só conversando. As crianças, como eu, brincavam de pega- pega, esconde- esconde, vôlei ou queimada.
Enquanto isso, os nossos pais ficavam batendo papo. Quando cansávamos íamos nos reunir a eles e a conversa seguia longe. 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

O desconhecido


Há uma frase muito popular e que eu repetia sem pensar: “Não é possível mudar o passado, mas é possível começar agora e fazer um novo futuro”.
Mas, será que não é possível mesmo mudar o passado?

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Tentação


Eu lembro bem do aroma daquela manhã de sábado... era doce, suculento, amarelo claro e quente. Como pode ver a lembrança desse aroma, apesar do tempo, ainda está muito viva dentro de mim, como seu pudesse senti-la, vê-la e prová-la.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

A dona do balanço

OUÇA AQUI
(Ouça Aqui)   

Eu imagino o espanto das pessoas ao verem uma mulher na faixa dos 40 anos pendurada nesse balanço.  
Se isso aconteceu, e é bem provável que sim, eu estava longe demais para perceber. Eu estava vivendo a minha infância, um lugar quase esquecido dentro de mim.
Eu percebo agora, que não é só a casa que fica cheia de louças inúteis ou os armários que parecem abarrotados de roupas, conforme vamos envelhecendo. Acumulamos muitas outras coisas inúteis e nos acostumamos com elas. Até um dia em que, por acaso, a gente topa com essas coisas e leva um tremendo susto.
Se eu não consegui enxergar o que sempre esteve a minha frente, o que mais deixei passar? E, assim, como acontecem com as roupas e as louças, a memória da infância também é guardada no canto das coisas sem muita importância e utilidade.
Ela é esquecida embaixo dos acontecimentos marcantes da juventude e das obrigações da vida adulta. Mas, em um belo dia, como aconteceu comigo, a memória da infância é resgatada.
Pode acontecer ao encontrar com um amigo, ouvir uma música antiga, sentir o aroma de um perfume ou o sabor de uma comida.
Comigo aconteceu quando eu encontrei um balanço na praia e resolvi testar se ainda sabia como brincar com ele. Com algum esforço e arranhões, eu me pendurei na corda e me equilibrei na borracha do pneu.
Por alguns minutos, eu voltei a ser a criança que olhava para o mar como se ele estivesse ali só para ela. Foram apenas alguns minutos, logo senti as minhas mãos e pernas doerem com a posição incômoda.
As coisas mudam, mas nem por isso devem ser esquecidas.